Domingo, 17 Março 2019 17:20

Vencer o egoísmo é um ato de coragem



Por: Rita Ramos Cordeiro

O egoísmo foi o vencedor da pergunta que lancei ontem numa rede social sobre qual o maior mal do mundo que não deveria existir, então é sobre ele que falaremos hoje.

Abordaremos de uma forma diferente da esperada, mas antes é preciso definir a palavra egoísmo.

 

"Egoísmo é a atitude ou o hábito de um indivíduo que só se importa com suas necessidades, interesses e opiniões, caracterizado por possuir um amor próprio excessivo e também que despreza as necessidades alheias."

A palavra já diz tudo ego + ismo e aqui também podemos utilizar o termo egocentrismo, que é aquele que centra a atenção em si mesmo, que se acha o centro do universo. E a partir daí vem na sequência o orgulho, a ganância, etc...

É importante observar que não podemos acabar com o egoísmo do outro, que não nos cabe mudar, mas podemos acabar com nosso próprio egoísmo. O problema é que acreditamos que o egoísmo está sempre no outro, nunca em nós.

Condicionamos nossa mente a acreditar que o mal está sempre no outro e deixamos de analisar nosso próprio eu.

Isso dá trabalho porque consequentemente chegaremos a conclusão que precisamos mudar. Mudar nossos hábitos, nossas prioridades e até mesmo nossas dores.

Quando achamos que nossa dor é maior que a de nosso semelhante é uma forma de egoísmo.

Quando o ressentimento chega através da mágoa, acreditamos ser injustiçados, mas nunca paramos para analisar se a nossa forma de ser, falar ou agir está magoando alguém.

Nunca paramos para pensar que a culpa de muitas situações que vivemos não é do outro, é de nossa própria inércia diante da vida.

Quando culpamos apenas o governo é porque acreditamos que somente ele tem o poder de acabar com fome e a miséria, mas não paramos para pensar que se olharmos a nossa volta, bem próximo a nós, vamos também ver misérias e descobriremos que podemos fazer algo a respeito para pelo menos minimizar a dor do outro.

Mas porque não olhamos dentro de nós mesmos para descobrir tudo isso?
Por que dá trabalho, é necessário uma mudança interior e exterior, o que nos exigiria sair de nossa zona de conforto para arregaçar as mangas para lutar em prol de nosso semelhante.

O mal existe porque o alimentamos quando viramos as costas para nossos irmãos de jornada e nos preocupamos apenas conosco mesmos.
E se a mudança não é feita espontaneamente, ela vem através do sofrimento e da dor.

A dor e sofrimento que passamos perante a vida é real e existe, mas quando ela é deixada de lado para acolher e atender a dor do outro, ela se torna menor.

Isso demanda tempo, disciplina, esforço e coragem, pois reconhecer os próprios erros antes de apontar o dedo ao outro é para os corajosos.

O mal sempre existirá, mas aceitá-lo ou acolhê-lo é opção individual de cada um. Que possamos começar agora a auto-análise de nosso próprio egoísmo. Se assim o fizermos, o egoísmo do outro e do mundo se tornará cada dia menor.

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