Domingo, 02 Setembro 2018 19:04

Violência, religião e estado laico




Por: Rita Ramos Cordeiro

O Espiritismo nos explica que a humanidade passa por um momento muito delicado, onde a Terra está em transição, passando de um planeta de provas e expiações para um mundo de regeneração e amor.

Uma transição um tanto quanto longa que não sabemos quanto tempo durará, mas não há dúvidas que a rapidez ou a demora para este tão esperado momento, depende exclusivamente do ser humano.

O mundo encontra-se em desalinho e no Brasil não poderia ser diferente.

 

Vivemos momentos difíceis e sempre tivemos notícias que o Brasil é o celeiro do mundo, a Pátria do Evangelho.

Muitos espíritas se perguntam como o Brasil pode ser a Pátria do Evangelho, vivendo com tanta corrupção, violência e pobreza.

Poucos cogitam ou admitem a ideia que somos a Pátria do Evangelho porque somos um povo que ainda necessitamos muito deste Evangelho, um povo doente e por doentes entenda-se a grande parte dos brasileiros e me incluo nesta proporção.

O que mais precisamos neste momento é do Evangelho para aprender a amar.

Mas como amar um bandido, um assassino, um corrupto?

Muitos defendem que a violência se combate com violência e muitos defendem que abraços amorosos e pombinhas de paz não vai acabar com os homicídios.

Não estamos aqui defendendo a criminalidade. O combate à criminalidade precisa ser rigoroso e a resposta deve ser feita a altura com estratégias, treinamentos, aparelhamento e tecnologia necessária nas mãos daqueles que colocam em risco sua vida para defender o povo.

Mas não podemos defender o olho por olho, violência gratuita por violência gratuita.

Aprender qual é este limite é justamente nosso maior desafio. Ser firme, dentro da Lei, da Ordem e da Justiça, mas sem discursos de ódio.

É neste ponto que defendemos que a violência não se combate com violência. A paz pode ser utilizada dentro da Lei e da Ordem.

Já dizia Jesus que os sãos não precisam de médicos. São os doentes de espíritos que necessitam.

Mas como aprender o Evangelho quando tanta violência e intolerância religiosa divide a humanidade?

Como falar de Deus quando muitas pessoas não acreditam em Sua existência e as que acreditam se dividem entre um Deus vingativo e um Deus amoroso?

Como falar em família quando as religiões as definem a seu bel prazer, rotulando-as por suas definições pessoais e religiosas e não pelo amor que deve existir entre elas? Que não respeitam a diversidade e a diferença entre as pessoas?

É neste momento de grandes interrogações e tanto ódio que precisamos harmonizar nossos sentimentos menores para utilizar da clareza e da sabedoria e por tudo isso necessitamos ter um Estado laico.

Um Estado laico que não se utilizará de Deus, ou melhor, de vários Deuses, pregados e conceituados erroneamente por diversas religiões.

Um estado laico onde seus governantes precisam governar com justiça, com Lei, com Ordem e Progresso e não com religião.

Religião essa que divide as pessoas, com conceitos de ódio, de separação, ao invés de igualdade. Igualdade para todos!

Sou espírita! Acredito num Deus Amoroso! Acredito na Paz! Acredito na Ordem e Progresso! Acredito que o Estado deve ser laico e que seus governantes não podem falar em nome de ideologias religiosas, de ideologias pessoais!

Este é um grande engano que vem se cometendo por alguns políticos! Pois o conceito de Deus e religião deve ser íntimo e pessoal e não deve ser imposto e nem governado em nome de uma Nação.

Há séculos atrás a humanidade já sofreu por conta da religião, numa época de Trevas, na Época da Inquisição! E deixar que um povo seja governado por ideologias religiosas é retroceder ao invés de progredir.

Precisamos de governantes que pensem em governar o país com paz! E isso é possível, sim! Pois a paz não compactua com a omissão, mas ela traz mecanismos para governar com igualdade e com imparcialidade!

Aprendamos a discutir ideias e não pessoas!

 

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