Domingo, 29 Abril 2018 20:01

Criança não namora, nem de brincadeira!




Por: Rita Ramos Cordeiro

Este slogan foi lançado em 2017 numa campanha com referência a sexualização infantil que está cada vez mais precoce.

Um tema polêmico e de divergentes opiniões, mas que não é um tema novo.

Antes de continuar é necessário explicar a diferença entre sexualização e sexualidade.

 

A ONU define Sexualidade como: a energia que motiva encontrar o amor, o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, na forma de as pessoas tocarem e serem tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e tanto a saúde física como a mental.

Já a sexualização não é um processo natural, ele é fabricado por algo ou alguém que adultiza a criança.

Mas engana-se quem acredita que o tema sexualização surgiu nos dias atuais. Se procurarmos em nossa memória de quando éramos crianças vamos lembrar que isto já existia desde aquela época, apenas com menores ocorrências do que nos dias atuais.

Naquela época as crianças brincavam com brincadeiras de crianças, porém ainda existia situações de sexualização mesmo que velada.
Quem não se lembra da brincadeira que se falava assim:"Pera, uva, maçã ou salada mista", que sempre terminada em beijinhos? Ou então as brincadeiras do tipo: "Brincar de médico"?

Eram brincadeiras inocentes que de uma forma ou de outra envolvia as crianças que estavam iniciando na descoberta própria sexualidade.

Também a televisão naquela época explorava sexualização com determinados programas infantis.

O que não permitia que a maioria das crianças tivessem uma puberdade precoce era algo muito simples: o controle e responsabilidade dos pais.

Muitos pais não permitiam que seus filhos namorassem antes de 18 anos e não chegassem em casa de um baile após as 23:00 e também a grande maioria das brincadeiras eram saudáveis.
Os tempos mudaram! As crianças de ontem se tornaram os pais de hoje. Surgiu a era da internet e redes sociais e o controle que antes era feito com mais tranquilidade, tornou-se quase impossível para os pais de hoje.

Pela legislação brasileira, é considerada criança até a idade de 12 anos incompletos. A partir de 13 anos já se considera um pré adolescente e a lei para a prática do sexo é a partir de 14 anos. Abaixo desta idade considera-se que a criança não tem condições de tomar decisões por si própria.

Apesar da legislação, a responsabilidade pelo crescimento saudável dos filhos continua sendo dos pais.

Estes mesmos pais permitem que seus filhos vistam roupas de adultos e se maqueiem ou então permitem brincadeiras de namoro entre os pequenos. Situação que já ocorria quando éramos crianças, mas que aumentou grandemente nos dias de hoje.

Com isso, as crianças chegam a pré adolescência com a sexualidade aflorada precocemente, fazendo com que os namoros se iniciem cada vez mais cedo, abrindo brechas lamentavelmente casos de gravidez precoce, que se tornaram cada vez mais comum. Abusos infantis não são mais pontuais.

O fato é que as crianças precisam crescer naturalmente, sem estes fatores externos que as adultizam precocemente.

Apesar de se considerar a mídia e a publicidade infantil como os verdadeiros vilões da sexualização, é certo que somente o cuidado, a responsabilidade e controle dos pais sobre o que filhos fazem, assistem ou participam, é primordial.

Saber lidar com a sexualidade dos filhos é um fator importante para torná-los adultos na época e momento certo.

O grande problema é que muitos pais transferem estes cuidados a terceiros por considerar ainda a própria sexualidade um tabu.

Nestes casos é importante que os pais procurem ajuda de profissionais que possam orientá-los para que consigam lidar com seus próprios filhos e a transição que normalmente passam, sem tirar-lhe a infância tão necessária a elas.

Impor regras, saber dizer não quando necessário, sempre dialogando com os filhos é uma importante tarefa que faz parte da decisão de ser pais.

O meio que se vive e o ambiente que se frequenta é também um grande desencadiador para a sexualização da criança, já que acompanham os pais a lugares que deveriam ser evitados.

Mesmo que a puberdade esteja cada dia mais precoce por causa das circunstâncias externas, os pais tem papel determinante de orientar e guiar seus filhos para que passem por todas as fases da infância, para que se tornem adultos conscientes e saudáveis, física, mental e psicologicamente que no futuro possam estarão preparados para cuidar de seus próprios filhos.